domingo, 7 de agosto de 2016

Paixão, Ficção, Fixação.


Gosto mesmo é de apólogos, então antes de tudo, espero que isso não seja um pleonasmo, já que o passado, por natureza, é benefício apenas para os bem vividos.


(Estatisticamente Falando)
Receio que minha absorção do pensativo – a afronta à semântica que vez ou outra aplico, com descuido ou estudo, a meus escritos – é um flerte com o artificial; sai a poesia, entra um jogral com o meu eu. O problema não é juízo, é comunicação. É difícil dizer, mas sinto (ou temo), que seja necessário. Só me resta saber se essa minha paixão não é um plágio.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

(...)

Ela era a única que não havia se matado entre vistos
Abafara o momento
Perdera o tempo traços passos ponto vírgula travessão
Atmosfericamente guardou-se do mundo inteiro
Em sangue e sódio e sal
Fórmulas e livros e arestas
Intocadas, vencidas, cortantes 
(...)

sábado, 3 de maio de 2014

Adendo

Flutuar no ritmo de todos os boleros rasgados
Retirados das entranhas das cordas
No ritmo d'um rio, vário
Vazado em sendas de meu mundo
Bocados de finos gostos

flertes

Essa absorção – a afronta à semântica que vez ou outra aplico, com descuido, a meus escritos – é um flerte com o artificial;
sai a poesia, entra maresia.
O meu problema não é juízo, é a falta de.

So Lonely, Nouvelle Vague. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

[calor]
No quintal, por entre as ramas de trigo, a Mãe Que Nunca Tive tentava me ensinar a assoviar. Eu não conseguia. Depois de um tempo, cansada, ela desistia dizendo que iria acontecer um dia. Por mais que eu quisesse (e eu queria), não conseguia acreditar nela.

[alguns planetas depois]
Lembrei disso (daquilo) e me vi ouvindo aquelas mesmas palavras da minha mãe, deitada na cama depois de ouvi-la dizer, sem mais nem menos (falávamos sobre nuvens de átomos, poeira solar e espectros luminosos), que eu não sabia assoviar.

[vento nenhum agora]
Eu assoviando pela primeira vez.



[eu e a Filha Que Ainda Não Tive]
"E o que você fez?" Interrogou-me após ouvir toda história, "chamou a sua mãe pra ouvir?" Não consegui me lembrar (mesmo agora não me lembro), e ela — aborrecida — agitou-se, "ninguém aprende a assoviar depois de velho!" E riu.
E ficamos ali deitadas, até que ela pediu: "assovia alguma coisa, qualquer coisa!" Eu não consegui pensar em nada. A Filha Que Nunca Tive me beliscou e falou em meu ouvido, "aposto que inventaste toda a história. Aposto que não sabes assoviar."

[a conclusão de vidas inteiras]
"As pessoas do meu planeta não sabem assoviar."




Para Clara.
Feliz aniversário.

"Você poderia me dizer,





































por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"


quinta-feira, 24 de outubro de 2013